Redirecionamento

24 maio, 2012

Baraúna/RN: A Fronteira Agrícola do Rio Grande do Norte

No cenário da agricultura brasileira é reconhecido o fenômeno da expansão da fronteira agrícola em direção aos Cerrados do país. Essa expansão ocorre sobretudo através da cultura de grãos, puxado principalmente pela soja e pelo milho (mas também pela cana-de-açúcar).

No RN nós também temos uma espécie de fronteira agrícola, porém bem mais restrita que a nacional e com um perfil de produção distinto. No nosso caso a expansão das atividades agrícolas se dá basicamente com a expansão da fruticultura irrigada.

Nesse cenário ganha destaque o município de Baraúna. Em 2010, por exemplo, foi o município que registrou o maior valor da produção agrícola do estado (lavouras permanentes + temporárias). A produção agrícola de Baraúna em 2010 (último número disponível) foi de aproximadamente R$ 132 milhões, equivalente a 17% da produção das lavouras do RN.

Um dado que dá a dimensão dessa importância da Baraúna como fronteira agrícola do estado é que em 1995 o município respondia por apenas 2% do valor da produção de laveouras temporárias e permanentes no RN. Além disso, entre 1995 e 2010, de cada R$ 4 milhões de reais de aumento da produção agrícola potiguar R$ 1 milhão foi oriundo de baraúna.


Outro dado relevante sobre o município de Baraúna é que nesses dez anos analisados pelo blog verificamos uma maior diversificação na produção agrícola municipal. De uma agricultura voltada apenas para uma pequena produção de melão em 1995 Baraúna evoluiu para um conjunto de atividades mais diversificadas. Em 2010 os principais produtos agrícolas do município eram: cebola (R$ 61,6 milhões), mamão (R$ 27 milhões), melão (R$ 25,2 milhões), banana (R$ 9,3 milhões) e melancia (R$ 6,3 milhões).
 
 

22 maio, 2012

Movimentação de Passageiros no Aeroporto de Natal Caiu 4,9% no Primeiro Quadrimestre

No primeiro quadrimestre de 2012 a movimentação de passageiros (embarque + desembarque) no aeroporto de Natal foi de 904.058 pessoas, queda de 4,91% frente aos 950.721 no mesmo período do ano passado.

Esse ano somente em fevereiro a movimentação foi maior que no ano passado. A tendência de queda no aeroporto local contraria a tendência nacional. Para todos os aeroportos do país a movimentação de passageiros cresceu 6,65% nesse quadrimestre.

A queda na movimentação local é mais uma sinalização das dificuldades do setor turístico do estado.

Em 2011 (janeiro a dezembro) a movimentação foi de 2,58 milhões de passageiros.




18 maio, 2012

Comércio Varejista no RN: Desempenho e Perspectivas para 2012

Em Setembro do ano passado eu fiz uma postagem sobre o desempenho do comércio varejista do RN (veja aqui) em que concluía que estávamos em um ciclo de desaceleração do crescimento das vendas do comércio no estado. Além disso, dizia que esse ciclo de desaceleração iria perdurar até o primeiro trimestre de 2012 e depois começaria um novo ciclo de aceleração.

Chegou a hora de verificar em que medida minhas expectativas estão ou não se confirmando. 

No gráfico abaixo, que mostra o desempenho do comércio varejista e do varejo ampliado (que inclui também veículos, peças para veículos e material de construção) no estado, vemos que já em março aparece uma inversão na curva de tendência. 

Portanto, esses números levam a crer que o ciclo de desaceleração pode ter chegado ao fim. Portanto, provavelmente teremos a partir de agora um novo ciclo de aceleração, com o gráfico abaixo apresentando uma movimento de crescimento a taxas cada vez maiores.


O fim do ciclo do aperto monetário (com as recentes reduções de juros) e o aumento do salário mínimo no início do ano vão começar a impactar o desempenho do comércio agora nesse segundo trimestre e de forma mais acentuada no segundo semestre do ano.

Todavia, ainda mantenho a expectativa de que o crescimento das vendas este ano no RN não ficarão acima dos 10%. No máximo o varejo terminará o ano com crescimento de 9% e o varejo ampliado com crescimento de no máximo 8%. O varejo ampliado está tendo um desempenho mais fraco em função das vendas de veículos novos, cujos números no primeiro quadrimestre de 2012 estão abaixo das vendas do ano passado no mesmo período.

Por enquanto o desempenho do crescimento do varejo do estado ainda está abaixo daquele registrado em 2011 e muito abaixo do de 2010 (dados referente ao primeiro trimestre de cada ano). 

Mas, conforme afirmei acima, minhas expectativas é que as vendas voltem a se acelerar e o desempenho este ano seja melhor que no ano passado, embora abaixo do registrado em 2010.


Duas variáveis, acredito, terão peso importante no desempenho do comércio do estado daqui para frente. O primeiro será o mercado de trabalho. Não acho que teremos um ano espetacular na geração de empregos formais no estado em 2012. Mas tenho esperanças (por enquanto são esperanças mesmo) que será melhor que 2011. O segundo ponto será os indicadores de inadimplência. Por enquanto a inadimplência do crédito bancário no estado está cerca de 34% maior que no mesmo período do ano anterior. Espero uma estabilidade da inadimplência e depois um recuo da mesma ao longo do ano.

Assim, quanto mais empregos formais forem gerados e quanto mais a inadimplência se reduzir, melhor será para o setor varejista do RN.

Os outros fatores que impactarão o setor são: o aumento do salário mínimo (isso já está dado) e a redução dos juros com aumento do crédito. Essa maior liquidez monetária já está sendo providenciada pelo Banco Central/Governo Federal. Resta saber até onde irá essa queda dos juros e aumento do crédito. Quanto menor os juros e mais crédito os consumidores tiverem acesso, maiores serão as vendas no mercado.

17 maio, 2012

Exportações de Bananas: o RN Volta à Liderança Nacional

Três estados brasileiros lideram as exportações nacionais de banana e respondem por praticamente 98% das vendas externas do produto pelo Brasil. Esses estados são o Rio Grande do Norte, Santa Catarina e o Ceará.

Até o final de 2007 o RN mantinha uma folgada liderança nas exportações nacionais de banana, com um volume de exportações em 12 meses se aproximando dos US$ 30 milhões. Em segundo lugar aparecia Santa Catrina, com exportações de US 12 milhões anuais e depois o Ceará, cujo volume exportado ficava próximo (mas abaixo) dos US$ 4 milhões.

As enchentes que assolaram o RN no ano de 2008, com grandes inundações no Vale do Açu (principal pólo produtor de banana no RN) fizeram as exportações do estado recuarem fortemente  para a casa dos US$ 10,7 milhões (período de 12 meses) no início de 2009.

As inundações devastaram várias fazendas da principal produtora e exportadora de banana do estado, a multinacional Del Monte. A destruição das plantações não foram recompostas pela empresa em sua totalidade. A área plantada recuou e com ela a produção e as exportações.

Parte da produção local da Del Monte foi transferida para o vizinho estado do Ceará, com isso as exportações de lá mais do que triplicaram entre 2007 e 2007. 

Nesse intervalo o RN também perdeu a liderança para Santa Catarina. Desde o início de 2010, porém, que as exportações potiguares vem se alternando com as de SC na liderança nacional.

A liderança atual, porém, está sendo obtida em um contexto de queda generalizada no volume exportado. Assim, ultrapassamos SC porque aquele estado registrou uma queda no volume exportado mais acentuado que a nossa. Essa queda atingiu primeiro o RN, depois o Ceará e finalmente chegou em SC.

A crise nos países desenvolvidos (com impactos na demanda) e a valorização do Real podem estar na raiz desse movimento. 

As exportações de SC, porém, não são concorrentes do RN no mercado mundial. O estado da região sul exporta a quase totalidade de sua produção para os mercado do Mercosul, enquanto o Nordeste (RN e CE) tem nos mercados europeus e dos EUA seu principal destino. 

Nesse ano de 2012, nos 4 primeiro meses, o RN foi o único estado entre esses três a apresentar um aumento do valor das exportações de banana. Muito embora tenha sido um aumento pequeno (de apenas 0,37%), tal variação contratou com a queda de 31%  nas exportações do CE e de 45% nas de SC.

A melhora do nível do câmbio bem como a ausência de chuvas no sertão poderão fazer com que o RN volte a registrar em 2012 crescimento das exportações de banana. Em 2010 o estado exportou US$ 17,6 milhões e em 2011 o valor caiu para US$ 13,6 milhões.



15 maio, 2012

Entrevista Sobre Região Metropolitana de Natal


Energia Eólica no RN: Geração Abaixo do Esperado

O gráfico de desempenho dos parques eólicos localizados no RN começam a mostrar alguns indicadores que tem acendido um sinal de alerta entre especialistas e investidores do setor.

A fonte de preocupação principal tem sido o fato de que os parques não estão gerando menos energia do que o esperado. Produzir menos energia do que o que estava planejado no momento dos investimentos significa dizer que os parques gerarão um volume de receitas também menores e que a rentabilidade dos investimentos não será aquela esperada pelos investidores.

Essa situação pode ser claramente verificada quando comparamos, no RN, o desempenho operacional do parque eólico de Rio do Fogo/RN com a usina Alegria I, localizada em Guamaré/RN.

Os dois parques possuem basicamente a mesma capacidade instalada (49,3 MW em Rio do Fogo e 51 MW em Alegria I). Todavia, o desempenho do segundo tem sido quase sempre inferior ao primeiro. 

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), o parque eólico de Rio do Fogo foi construído com uma expectativa de que seria gerado 34% de sua capacidade instalada. Nos últimos 12 meses encerrados em março de 2012 o fator de capacidade verificado, ou seja a geração real de energia, ficou em 34,4%. O mesmo não ocorreu com o parque de Alegria I, cujo fator de capacidade estimado é de 32% e o parque operou nos últimos 12 meses gerando apenas 26,3%.

Os parques eólicos de Mangue Seco, também localizados em Guamaré/RN, também não estão alcançando seus respectivos fatores de capacidade estimados. Mangue Seco 5, tem registrado um fator de operação 40% abaixo do programado.

Esse não é um fenômeno isolado do RN. O desempenho abaixo do esperado dos novos parques eólicos está sendo registrado em todo o Nordeste.


14 maio, 2012

Vendas de Veículos Novos Continuam em Baixa no RN - Tendência é Nacional

No primeiro quadrimestre de 2012 foram vendidos no RN cerca de 22,3 mil veículos novos, queda de 2,3% sobre o volume vendido no mesmo período do ano passado.

A queda do RN segue a mesma tendência nacional e da região Nordeste. No Brasil a queda no ano é de 2,7% e no Nordeste de 4,1%. 

O que agrava mais a situação do Rio Grande do Norte é que a queda desse ano dá uma sequência ao que foi registrado no ano de 2011, quando no estado foram vendidos menos veículos do que em 2010. No ano passado tanto o Brasil quanto a região Nordeste registraram aumento de vendas.

O fato das estatísticas de vendas de veículos novos no RN estarem "patinando" tem uma importância direta nas estatísticas do comércio varejista ampliado produzidas pelo IBGE. Enquanto o mercado de automóveis não reagir com mais força as estatísticas do IBGE também se manterão em ritmo medíocre. 


O nível de endividamento das famílias potiguares, o aumento da inadimplência em relação ao ano passado e as condições mais restritas do crédito estão nas raízes dessa retração do mercado local. O aumento da renda e as políticas recentes de afrouxamento do crédito e redução dos juros levarão algum tempo para surtir efeitos. Ainda acredito que o mercado possa reagir ao longo do ano e as vendas superarem o que foi contabilizado no ano passado. Todavia, esse aumento (se ocorrer) não será algo muito expressivo.


10 maio, 2012

Exportações do RN Crescem 29% no Primeiro Quadrimestre de 2012, Mas Ritmo Não Se Sustenta ao Longo do Ano

As exportações do RN no primeiro quadrimestre de 2012 totalizaram US$ 90,4 milhões, valor 29% superior aos US$ 70 milhões registrados no mesmo período do ano passado. As frutas continuam sendo o principal segmento exportador do estado, sendo que o valor total exportado pelo segmento fruticultor no RN no período de janeiro a abril de 2012 foi de US$ 39,4 milhões, registrando um crescimento de 9,5% em relação ao primeiro quadrimestre de 2011.


Esse aumento de 29% nas exportações do estado provavelmente não se sustentará até o final do ano nesse patamar. Acredito sim que muito provavelmente as exportações do RN em 2012 ficarão em um patamar superior ao do ano passado (que foi em torno de US$ 281 milhões). Todavia, estimo que esse aumento ficará entre 7% e 10% e o valor total exportado ficará entre US$ 300 milhões e US$ 310 milhões.

Esse grande crescimento das exportações no primeiro quadrimestre, de quase 30%, foi puxado, além frutas, pelas exportações de açúcar no início do ano, de minérios e de produtos de confeitaria.

No caso específico das frutas, a liderança nesse primeiro quadrimestre está sendo da castanha, mas o aumento registrado no ano foi puxado principalmente pelo melão. Provavelmente as reduzidas chuvas ocorridas no estado no início do ano acabaram por prolongar a safra iniciada no segundo semestre do ano passado.


08 maio, 2012

Petróleo no RN: Queda da Produção e Aumento do Processamento no Primeiro Trimestre

No primeiro trimestre de 2012 a produção de petróleo no RN foi de 5,34 milhões de barris. Tal volume foi 2% inferior ao mesmo volume produzido no 4º trimestre de 2011 e aproximadamente 1% menor do que a produção do primeiro trimestre de 2011.

No que diz respeito ao volume de petróleo processado na Refinaria Clara Camarão (localizada em Guamaré/RN) ocorreu um aumento de 2,12% em relação ao último trimestre do ano passado e um crescimento de 8% quando comparado ao primeiro trimestre de 2011. A referida refinaria processou no primeiro trimestre de 2012 cerca de 3,37 milhões de barris de petróleo.


Conforme podemos ver no gráfico acima o RN ainda não processa a totalidade de sua produção de petróleo. Todavia, após a entrada da planta de produção de gasolina da Refinaria Clara camarão, a fração do petróleo produzido no estado que é processado aqui subiu significativamente. Em 2009 o RN processava apenas cerca de 15% do petróleo produzido em seu território. Hoje o volume processado gira em torno de 60% a 65% do que é produzido em terras e águas potiguares.


Nesse primeiro trimestre de 2012 a Refinaria Clara Camarão produziu 282,5 mil metros cúbicos de derivados de petróleo, sendo 155 mil de óleo diesel, 35,8 mil de querosene de aviação (QAV) e 91,6 mil de gasolina tipo A. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado o maior crescimento ocorreu na produção de gasolina, cujo aumento foi de quase 43%.



03 maio, 2012

Produção e Consumo de Cimento no RN em 2011 - Records Históricos

A produção e o consumo de cimento no RN em 2011 apresentaram os números mais elevados da história econômica do estado. Foram produzidos no RN 657 mil toneladas do produto e consumidas 860 mil toneladas.

Todavia, se a produção apresentou um forte crescimento em relação a 2010 (aproximadamente 42%) com a entrada em operação de uma nova fábrica no município de Baraúna/RN, o mesmo não pode ser dito do consumo. Este cresceu apenas 1,4% em relação ao ano anterior, quando o estado consumiu 850 mil toneladas de cimento.


Em termos de consumo o RN ficou em quarto lugar no Nordeste, perdendo para Bahia (3,56 mil T), Pernambuco (2,80 mil T), Ceará (1,7 mil T) e Maranhão (1,3 mil T). Na produção de cimento o estado ficou em sétima colocação na região, com uma produção maior apenas que os estados do Maranhão e Piauí.

Embora no total do ano passado o consumo de cimento no RN tenha ficado maior que o seu consumo, os dados de evolução mensal indicam que caminhamos para uma autossuficiência ainda neste ano de 2012. Capacidade de produção para isso nós já temos.

Além de alcançarmos a autossuficiência na oferta de cimento este ano, provavelmente nossa produção também irá ultrapassar aquela registrada pelo estado de Alagoas. O RN muito provavelmente encerrará 2012 repetindo a quarta colocação no consumo de cimento no Nordeste e a sexta posição no ranking de produção.

Espero para 2012 um maior aquecimento do consumo local do produto, puxado, entre outras obras, pela construção do estádio Arena das Dunas.


29 abril, 2012

Região Metropolitana de Natal: 900 Mil Deslocamentos Diários Para Trabalho e/ou Escola

O censo demográfico de 2010 fez uma levantamento dos deslocamentos diários das pessoas para trabalho e estudo. Além de levantar o tempo habitual desses deslocamentos, o IBGE investigou também a ocorrência de movimentos diários de trabalho e estudo entre diferentes municípios. 

Com o crescente fenômeno da metropolização, os deslocamento entre municípios para trabalhar e/ou estudar e o tempo desses deslocamentos ganham cada vez mais importância no cotidiano das pessoas e na definição de políticas públicas, sobretudo na questão da mobilidade urbana e na questão do transporte público.

Esse fenômeno também está presente no RN através da crescente conurbação no entorno da capital potiguar, sobretudo entre os municípios de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante (SGA) e Macaíba.

Na Região Metropolitana de Natal (RMN) os deslocamentos diários para trabalho e/ou estudo envolve um total de 908,5 mil pessoas (eventualmente uma pessoa pode se deslocar para trabalhar e também para estudar, nesse caso nessa nossa tabela ele está sendo contado duas vezes).

Desses deslocamentos, 460 mil são para o trabalho e outros 448 mil para estudo. Em termos de movimento pendular diário entre municípios, diariamente ocorrem na RMN 146 mil movimentos, sendo 102 mil para trabalho e 44 mil para estudos.

Parte considerável dos movimentos para trabalho e estudo na RMN se concentra nos três maiores municípios da Região: Natal, Parnamirim e são Gonçalo do Amarante.

Para efeito dessa tabela consideramos como deslocamentos para trabalho no município o número de pessoas que exerciam alguma ocupação fora do seu domicílio mas no município em que residia.


Uma abertura dessas dados demonstra que, no que diz respeito ao deslocamento para o trabalho, os dados mais expressivos aparecem em São Gonçalo do Amarante. Naquele município mais de 50% das pessoas ocupadas exerciam suas atividades em outro município. Em Extremoz e Parnamirim deslocamento para o trabalho em outro município atingiam mais de 40% da população ocupada.

No caso de deslocamento para estudo a situação mais acentuada é em Parnamirim, onde aproximadamente 30% dos seus estudantes estudam em outro município.


Em termos de duração dos deslocamentos cerca de 40% dos trabalhadores da RMN levam mais de meia hora no trajeto diário de casa para o trabalho. 

Em Extremoz 11% dos trabalhadores levam  mais de uma hora para se deslocar para o trabalho, em Ceará-Mirim 9,37% e em São Gonçalo do Amarante 9,33%. Se considerarmos a ida e a volta dessas pessoas, podemos concluir que nesses municípios cerca de 10% dos trabalhadores perdem duas horas diárias apenas nos seus trajetos casa-trabalho-casa.

Em SGA aproximadamente 50% dos deslocamentos diários para o trabalho duram mais de meia hora. Em Natal esse número é de 41% , em Parnamirim 36% e em Ceará-Mirim 33%.



Todos esses dados, sobretudo a informação de que diariamente ocorrem 750 mil deslocamentos para trabalho e escola somente nos municípios de Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante; que desses 750 mil deslocamentos nessas três cidades, 111 mil acontecem para outros municípios, reforça a importância da discussão da gestão metropolitana, da mobilidade urbana e da questão do transporte público.

Essas questões dizem respeito direto à qualidade de vida dos cidadãos que residem nesses municípios. Apenas à título de ilustração, diariamente na RMN cerca de 36 mil trabalhadores demoram mais de uma hora para fazerem seus trajetos de casa para o trabalho. São no mínimo 2 horas diárias que eles desperdiçam no trânsito.

Esse é um problema que se tornará, com o passar do tempo, cada vez mais presente na nossa vida cotidiana. 

28 abril, 2012

Transformações nas Famílias/Domicílios do RN nas Últimas Décadas

As estatísticas do IBGE, sobretudo aquelas levantadas decenalmente durante as operações censitárias, quando colocadas em um painel de longo prazo dão um panorama fiel das transformações vividas pelas  famílias e domicílios brasileiros.

Esse post procurada abordar algumas dessas transformações ocorridas no RN, que no geral acompanham as tendências nacionais.

A primeira modificação mais significativa que vejo é a brutal queda da fecundidade feminina. Há 40 anos atrás, quando o IBGE realizou o censo demográfico de 1970, as mulheres do RN tinham, em média, 8,44 filhos durante a sua vida reprodutiva. Esse indicador teve uma queda de 76% ao longo dessas 4 décadas e em 2010 a taxa de fecundidade das mulheres do estado havia regredido para 1,99. 



Esse novo número é paradigmático porque as mulheres do RN, assim como as brasileiras, já estão gerando filhos em um ritmo insuficiente para a reposição demográfica. Para que a população de um determinado território registre crescimento (excluído o fenômeno da migração), é preciso que as mulheres gerem mais 2 filhos em média durante seu período reprodutivo. Isso porque, no longo prazo, com a morte do casal que gerou os filhos, os números dos que nasceram mais do que compensa a população perdida com a morte do casal. Quando esse número de filhos, porém, desce a uma nível abaixo de 2 por mulheres, a morte do casal deixará menos indivíduos e a população entrará em declínio.

Portanto, no período provavelmente de uma geração, a população do RN se estabilizará e depois poderá declinar. Tal declínio só não ocorrerá se o estado for capaz de se converter num espaço de atração migratória. É importante observar, também, que esse declínio ainda não chegou ao fim. Nos próximo censos a queda da taxa de fecundidade provavelmente ainda continuará a ocorrer.

Dois outros fenômenos relevantes e até certo ponto relacionados é a queda do número de pessoas por domicílios e o aumento do número de domicílios com apenas um morador. Nos últimos 30 anos a média de moradores por domicílios recuou de 5,09 para 3,5 e provavelmente continuará caindo. Por outro lado, cresce a participação de domicílios com um morador. Em 1980 no RN 4,94% dos domicílios possuíam apenas um morador, em 2010 esse número subiu para 9,52%. Tal tendência continuará na presente década e se apresenta de forma mais acentuada nos centros urbanos maiores.



Por fim, vemos que o modo de constituição das famílias potiguares também sofreu uma profunda alteração nos últimos 50 anos. Em 1960 45,7% das uniões conjugais no estado eram oficializadas pelas autoridades religiosas. Além disso, 41,4% das uniões conjugais eram registradas oficialmente no cartório civil e no também perante o poder religioso.

Em 2010 a principal modalidade de união conjugal é a união consensual, que não passou por nenhum crivo, quer da autoridade civil quer da autoridade religiosa. O casamento somente religioso, que já foi a principal forma de união conjugal no RN, vem declinando desde os anos 60 hoje responde apenas marginalmente pelas formas de união conjugal no estado (3,59%). O casamento civil e religioso declina desde os anos 80, já o casamento somente civil começou sua derrocada nos anos 90.

Por trás desse fenômeno, certamente, está o fato de que atualmente, pela legislação, os direitos e obrigações dos cônjuges em uniões estáveis são semelhantes e em nada se diferenciam daquelas uniões registradas em cartório.

É provável que o peso das uniões estáveis continue se acentuando ao longo da presente década e talvez da próxima. Mas provavelmente essa expansão se dará em uma velocidade menor do que aquela registrada nas últimas décadas.



PS.: Nos eixos de anos dos gráficos, onde lê-se 1990, leia-se 1991.


26 abril, 2012

A Capacidade de Hospedagem da Rede Hoteleira do Rio Grande do Norte

O IBGE divulgou ontem mais uma rodada de informações da Pesquisa dos Serviços de Hospedagem. Dessa vez o órgão trouxe informações sobre as capitais brasileiras, as Regiões Metropolitanas e municípios de interesse turísticos indicados pelo Ministério do Turismo.

Os dados mostrados pela pesquisa demonstram que o RN possui, em termos quantitativos, uma forte rede de hospedagem, concentrada principalmente em Natal e no município de Tibau do Sul. Juntos esses dois municípios respondem por mais de 90% da capacidade de hospedagem dos municípios investigados.

A importância do RN na rede de hospedagem brasileira pode ser medida, numa primeira aproximação, pela revelação de que Natal ocupa a 4ª colocação entre as cidades brasileiras. A capital potiguar possui uma capacidade de hospedar 29.757 pessoas, perdendo apenas para as cidades de São Paulo, Rio de e Salvador. No Nordeste, portanto, a capital do RN ocupa a segunda colocação.

Um destaque do perfil dessa rede de Natal (e por extensão do RN) é que ela possui um grande número de hotéis com mais de 100 unidades habitacionais. Em função dos empreendimentos localizados na Via Costeira, o padrão de tamanho da rede hoteleira de Natal é relativamente maior que a média nacional. 


Quando expandimos a análise para cobrir as Regiões Metropolitanas Brasileiras o RN perde posição no cenário nacional mas continua ocupando uma posição relevante. A Região Metropolitana de Natal ocupa a 9º colocação entre as RM brasileiras e a 4º colocação no Nordeste.


No Rio Grande do Norte a pesquisa investigou a Região Metropolitana de Natal e os pólos de turismo nos litorais sul e norte. Os dados revelam que parte expressiva da capacidade de hospedagem do estado está localizada nos municípios de Natal e Tibau do Sul. Cerca de 91% da capacidade de hospedagem dos municípios investigados está localizada nesses dois municípios. 

Juntos os municípios investigados no RN possuem capacidade de hospedagem de 38,6 mil pessoas. Além do pólo da RMN (concentrado principalmente em Natal e Parnamirim), destacam-se no litoral sul o pólo formado pelo trecho que vai da cidade de Tibau do Sul, incluindo Pipa, Barra de Cunhaú (Canguaretama) e Baía Formosa. Juntos esses municípios do litoral sul possuem uma capacidade de hospedagem de quase 6 mil pessoas.

Em menor escala destaca-se o pólo do litoral norte, formado principalmente pelos municípios de Touros e São Miguel do Gostoso. A capacidade de hospedagem desse pólo é de 449 pessoas.


Resta saber se essa nossa rede de hospedagem é suficiente para atender a demanda da Copa 2014 e se seu perfil também é adequado não só para o evento que se avizinha como também para o momento vivido pelo turismo brasileiro e mundial.



21 abril, 2012

RN não Lidera Mais os Leilões de Energia Eólica

A empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) divulgou ontem o número de empreendimentos e o volume de energia ofertada no cadastramento para a oferta complementar de energia elétrica em 2015 (A3) e 2017 (A5).

Em junho e agosto desse ano ocorrerá leilões para a aquisição dessa energia.

Na oferta dos dois leilões a energia eólica continua liderando no número de projetos inscritos e também na energia ofertada. Dos 52,2 MWh inscritos para os dois leilões a fonte eólica responde por aproximadamente 51%, com um volume ofertado de 26,81 MWh. Em segundo lugar veio a geração de energia por meio de usinas movidas a gás natural, cuja oferta somou 18,85 MWh, respondendo por 36% da oferta total.


Dos 26,81 MWh ofertados na fonte eólica, o estado do Rio Grande do Sul foi aquele que apresentou o maior volume de energia (7,4 MWh), seguido da BA (7,1 MWh), RN (4,9 MWh) e CE (4,6 MWh).

O Nordeste continua sendo a região do Brasil com maior potencial eólico. Também se localiza aqui o maior número de empreendimentos e o volume ofertado. O RS é o principal concorrente da região. O RN já liderou em anos anteriores o número de projetos e o volume de energia eólica ofertado nesses leilões. Todavia, progressivamente o estado vem perdendo essa liderança.

A pequena dimensão territorial do estado, a infraestrutura logística (sobretudo de portos/estradas para transportes dos grandes equipamentos) e a ausência de uma rede de transmissão capaz de captar e escoar a energia gerada nos parques eólicos podem ser as principais razões para essa perca de importância relativa do estado.

É importante ressaltar, porém, que o que ocorreu agora foi apenas o cadastramento dos projetos (no RN foram inscritos 183 projetos), esses ainda passarão pela verificação da documentação por parte da EPE e, depois, pelo próprio leilão. É no leilão que saberemos de fato quem são os projetos mais competitivos.


19 abril, 2012

RN: 184 Mil Novas Linhas de Celulares no Primeiro Trimestre - VIVO Liderou Vendas

O RN fechou o mês de março de 2012 com um total de 4.213.355 linhas de telefonia móvel. Somente nesse primeiro semestre do ano foram acrescentadas às bases das operadoras de telefonia celular no estado um total de 183,6 mil novas linhas.

Esse número é aproximadamente 80% maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2011, quando foram vendidas cerca de 102 mil novas linhas.


Nesse primeiro trimestre a liderança nas vendas de novas linhas no RN ficou com a empresa VIVO, responsável pelo acréscimo de quase metade de todas as novas linhas vendidas. Em segundo lugar veio a TIM, seguida da OI e depois da CLARO.

Em termos de número de linhas existentes no estado, porém, a liderança atualmente é da TIM. A VIVO ocupa a última posição no número de linhas de celulares em função de sua entrada tardia no mercado local.


17 abril, 2012

O Emprego Formal no RN no Primeiro Trimestre de 2012 - Quem Contratou e Quem Demitiu

O cenário do primeiro trimestre no RN para o emprego formal foi de demissão. Esse fato, porém, não trás em si nenhuma novidade. Normalmente o período que vai de dezembro a março é de desemprego no estado, sobretudo em função do fim de algumas atividades agropecuárias, como as colheitas do melão e da cana e a moagem dessa última.

O estado encerrou esse período com um saldo de 2.130 demissões (março me surpreendeu e veio positivo), um déficit inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando as demissões ficaram em 3.418 postos de trabalho perdidos.




Essa queda no saldo negativo ocorreu em função de um menor crescimento no ritmo de demissões no péríodo do que no crescimento das admissões. Estas últimas aumentaram 8% entre o primeiro trimestre do ano passado e o primeiro deste ano. As demissões, por sua vez, cresceram 4,6% nesse mesmo intervalo de tempo. Esse cenário é bem diferente daquele que passamos no primeiro trimestre de 2011 quando comparado ao primeiro de 2010. No ano passado, no primeiro trimestre, as contratações aumentaram 4% e as demissões 14%, isso comparado ao primeiro trimestre de 2010.

Nesse ano lideram as contratações os setores de serviço, comércio e construção civil. Do lado das demissões os maiores saldos negativos estão na indústria de transformação e na agropecuária.

Os serviços vem registrando, nesse trimestre, uma desaceleração no ritmo de contratações quando comparado ao mesmo trimestre de 2011. Já o comércio e a construção civil apresentaram um forte aumento no saldo positivo nesse mesmo período.




12 abril, 2012

energia Eólica: RN Possui no Momento 236,6 MWh de Capacidade Instalada de Geração e Outros 668 MWh em Construção

Segundo relatório da ANEEL, o RN possui no momento uma capacidade instalada de geração de energia eólica de 236,56 mwh. O principal parque gerador do estado está localizado no município de Guamaré, que detém 185,45 MWh de capacidade instalada. Em segundo lugar aparece Rio do Fogo com sua já tradicional usina de 49,3 MWh de capacidade.



O estado, porém, possui ainda outros 668 MWh de usinas eólicas em construção. Essas usinas estão localizadas em três municípios: Parazinho (314 MWh), João Câmara (275,6 MWh) e Pedra Grande (78,4 MWh).



Além dessas usinas listadas acima existe um número expressivo de outras usinas que ainda não começaram as obras de construção mas cuja energia já foi vendida nos leilões. Em breve essas novas usinas também terão suas obras iniciadas.

08 abril, 2012

Rio Grande do Norte Volta a Liderar as Exportações Brasileiras de Tungstênio

O RN exportou em 2011 US$ 3,4 milhões em minério concentrado de tungstênio, equivalente a 60% das exportações nacionais. Nos três primeiros meses de 2012 as exportações desse produto pelo estado já chega a US$ 1,55 milhão (valor 3 vezes maior que o exportado no mesmo período de 2011), representando 70% das exportações brasileiras de tungestênio.

O tungstênio, em função de suas características de dureza e resistência, é muito utilizado na constituição de ligas metálicas que se destinam principalmente à fabricação de ferramentas de corte em alta velocidade, como por exemplo em usinagem e em pontas de brocas para perfuração de rochas. Outra utilização mais prosaica do produto é naquelas esferas existentes na ponta de canetas esferográficas. 

O mercado mundial de tungstênio é controlado pela China, que responde por aproximadamente 65% das reservas mundiais e por 85% da produção. O Brasil possui apenas 1% das reservas e produção mundial, representando, portanto, apenas um produtor marginal no cenário mundial do produto.

No Brasil o RN é o detentor das maiores reservas de tungstênio (aproximadamente 35 mil toneladas entre reservas medidas e indicadas). As reservas locais tiveram um forte aumento no final dos anos 2000 e estão localizadas nos municípios de Jardim de Piranhas, Currais Novos, Bodó, Acari e Lajes. No estado a ocorrência do Tungstênio se dá nos depósitos minerais de Scheelita. Os outros estados que possuem as maiores reservas de tungstênio são Rondônia e Pará. Nesses estados, porém, a ocorrência se dá em depósitos minerais da Volframita.


A exploração do produto no RN remonta a meados dos anos 40 do século passado. Todavia, nos anos 90 o setor passou por uma forte crise, imposta pela economia chinesa, que passou a controlar a oferta mundial do tungstênio e produziu uma forte redução nos seus preços. Essa queda nos preços nos mercados internacionais praticamente decretou o fechamento das minas localizadas no RN.

Em meados dos anos 2000 a China volta a influenciar a produção local. Dessa vez, porém, os efeitos da mesma foram benéficos. Com o crescimento da economia chinesa nos anos recentes e a proibição dos governos de lá de exportação do produto, os preços do tungstênio dispararam nos mercados mundiais e a produção e exportações locais voltaram a ser competitivas.

Em 2005 as exportações de tungstênio pelo RN representavam apenas 4% das exportações brasileiras. Nos três primeiros meses de 2012 as exportações do estado haviam saltado para 70%. Nesse intervalo de tempo as exportações do Brasil passaram por algumas oscilações, saíram de um patamar de US$ 3 milhões em 2005 para algo próximo a US$ 6/7 milhões entre 2006 e 2008, depois caíram em 2009 e 2010 para voltarem a subir em 2011 e 2012.



No início de 2011 o RN exportava em torno de 10 toneladas mensais do produto. Entre dezembro de 2011 e março de 2012, porém, as exportações locais saltaram para a faixa de 33 toneladas (ex para o mês de fevereiro). Portanto, há indicações de que nesse ano o volume exportado fique em um patamar bem superior aos dos anos anteriores.



Infelizmente o estado ainda produz apenas a primeira etapa no processamento do produto, ou seja, exporta apenas o material concentrado e não os seus derivados semi-elaborados e elaborados. Anteriormente o estado já tentou avançar na produção de produtos intermediários e finais. A criação da empresa METASA (alguém aí ainda se lembra dela?) lá na região do Seridó foi justamente uma tentativa e agregar valor à produção local. Todavia, a crise que se abateu sobre o setor nos anos 90 (já reportada anteriormente), matou o projeto e levou a referida empresa à falência.

Esse é um segmento da economia local que promete ressurgir das cinzas. Aliás esse ressurgimento já está ocorrendo. Como o RN acabou se tornando em um curto período de tempo (entre 2005 e 2011), líder nas exportações nacionais, provavelmente isso seja uma indicação de que nossa produção á mais competitiva do que aquela oriunda de outros estados (notadamente Pará e Rondônia). Nesse caso específico, curiosamente, pode ser a logística o nosso principal fator competitivo, uma vez que nossas minas se localizam muito mais perto dos portos de escoamento do que as minas de Ariquemes em Rondônia.

05 abril, 2012

Exportações do RN Crescem 38% no Primeiro Trimestre e Somam US$ 76 Milhões

No primeiro trimestre de 2012 o RN exportou aproximadamente US$ 76 milhões, um crescimento de 38% sobre o mesmo período do ano anterior.

A fruticultura irrigada continua sendo o principal item da pauta de exportações do estado e nesse primeiro trimestre o valor exportado foi de US$ 32,3 milhões e crescimento de 20% sobre o primeiro trimestre de 2011.


Melão, castanha de caju e açúcar foram os principais produtos exportados de janeiro a março deste ano. O grande destaque até agora está sendo as exportações de açúcar, responsáveis em grande parte pelo crescimento das exportações do estado. Todavia, as exportações de açúcar provavelmente já chegaram ao final (ainda são da safra passada de açúcar).

Nos próximos meses as exportações do RN irão permanecer em um patamar baixo (provavelmente entre 15 e 20 milhões de dólares no período de abril a junho). Isso se dará em função da queda das exportações de açúcar, melão e melancia. 

O que provavelmente vai contribuir para um aumento do valor exportado pelo estado nos próximos meses serão produtos como manga, peixes e minério de ferro. Depois de junho/julho iniciarão as exportações de melão e melancia. Considerando que esse ano provavelmente será de baixa pluviometria no sertão, as exportações dessas frutas poderão ser incrementadas, pois a produção da mesma se dá em terras irrigadas e quanto menor o volume de chuvas melhor para a produção.

Um outro produto que se destacou nesse trimestre foi o minério de ferros, que teve exportações agora em março de US$ 2,2 milhões, referentes a um embarque do produto da ordem de 35 milhões de toneladas.

 


02 abril, 2012

Produção de Combustíveis na Refinaria Clara Camarão (Guamaré/RN) Continua em Crescimento

No primeiro bimestre de 2012 a Refinaria Clara Camarão, localizada no município de Guamaré/RN, produziu 186,5 mil barris de derivados de petróleo. Comparado ao mesmo período do ano anterior o crescimento foi de 19,4%. Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro de 2012 o volume produzido foi de 1,032 milhão de barris.


O óleo diesel continua sendo o principal item da pauta de produção de derivados de petróleo no RN. Nesse primeiro bimestre foi produzido no estado 101,4 mil/m³, contra uma produção de 93,3 mil/m³ no mesmo período do ano passado.

A gasolina é o segundo principal produto, sua produção este ano foi de 60,8 mil/m³ e o crescimento foi de 46% sobre o primeiro bimestre de 2011.

O querosene de aviação (QAV) é o terceiro produto. O volume de produção do QAV em jan/fev de 2012 em Guamaré foi de 24,2 mil/m³, crescimento de 15% sobre o mesmo período do ano passado.

Mantido ao longo do ano o ritmo de produção desse bimestre o estado pode terminar 2012 com uma produção de derivados de petróleo da ordem de 1,12 milhões de metros cúbicos e um crescimento sobre 2011 de aproximadamente 12%. O maior volume de produção este ano será puxado, principalmente, pela produção de gasolina.



 

29 março, 2012

O ano de 2012 começa com redução da inadimplência no RN

Aproximadamente em abril do ano passado os consumidores do RN entraram em um ciclo de expansão da inadimplência no crédito bancario. Em março de 2011 a inadimplência de pessoas físicas estava em 4,34% e subiu para 5,89% em novembro do mesmo ano, permanecendo nesse patamar no mês de dezembro.

No último bimestre do ano passado a inadimplências das pessoas físicas no estado (segundo dados do banco Central) passou por uma forte subida.

Em janeiro de 2012, todavia, essa inadimplência recuou para 5,28%. Esse número ainda é bem superior ao registrado no mesmo mês de 2011 (4,24%) mas inferior ao registrado em janeiro de 2010 (5,44%).

Um acompanhamento da trajetória da inadimplência no estado (com foco na pessoa física), revela a existência de alguns ciclos: primeiro passamos por um longo ciclo de queda que durou de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Nesse intervalo de aproximadamente 36 meses a inadimplência de pessoa física no estado recuou de 7,79% para 4,43%.

A partir daí tem início um novo ciclo de aumento da inadimplência, esse novo ciclo teve duração de aproximadamente 27 meses e encerrou-se em março de 2009 com a inadimplência em 6,44%.

Novamente inicia-se um ciclo de queda que teve duração de 23 meses e trouxe a inadimplência para a casa de 4,24% em março de 2011.

O último ciclo de alta atingiu seu pico em novembro do ano passado. Desde então (com dados de dezembro e janeiro) a inadimplência tem recuado. A dúvida que fica é se o ciclo de alta iniciado há aproximadamente 12 meses já chegou ao seu fim e estamos no início de um novo ciclo de queda ou as quedas verificadas nos últimos 2 meses foram apenas índices pontuais que não se traduzirão em continuidade nos próximos meses.

A inadimplência tem um papel importante no desempenho do comércio e, consequentemente, no ritmo de crescimento da economia.

Minha opinião é que de fato ao longo de 2012 a inadimplência irá regredir (já havia previsto isso AQUI). Minha dúvida é se esse ciclo de queda já se iniciou mesmo. Mas ao que parece, em um primeiro momento, a resposta é sim.


27 março, 2012

Exportações do RN: Alguns Sinais Positivos

Um setor da economia do RN que apresenta alguns sinais de recuperação nos últimos meses é aquele voltado para o mercado mundial.

O gráfico apresentado abaixo faz um longo levantamento da balança comercial do estado (acumulada em 12 meses) desde o ano de 1989 até fevereiro deste ano.

Destaco no gráfico o fato de que, no acumulado em 12 meses, as exportações do estado fecharam fevereiro com valor superior a US$ 300 milhões. A última vez que isso tinha ocorrido havia sido em maio de 2009. Portanto, depois de 34 meses nossas exportações voltam a superar esse patamar.

Entre meados de 2003 e maio de 2009 as exportações do estado sempre estiveram no patamar acima dos US$ 300 milhões no acumulado em 12 meses. No início e meados da década as exportações do estado cresceram puxadas principalmente pelas exportações de petróleo por parte da Petrobrás, pela carcinicultura e pela expansão da fruticultura, principalmente da banana. Esses três produtos, posteriormente entraram em declínio e isso levou a uma queda das exportações estaduais.

A recuperação recente, que se iniciou em meados do ano passado, está sendo puxada principalmente pela recuperação do valor das exportações de frutas, pelo setor sucroalcoleiro e pelo pólo atuneiro do estado.

Vamos esperar os próximos meses para verificarmos se o volume exportado do estado se mantém no patamar acima dos US$ 300 milhões ou se esse ciclo terá uma duração curta. Minhas expectativas são de que esse ciclo de expansão tem condições de continuar assim até pelo menos setembro deste ano. Para as exportações do último trimestre do ano ainda é cedo para maiores projeções, uma vez que tudo dependerá do desempenho do setor de fruticultura, cujo plantio só se iniciará no começo segundo semestre. 


26 março, 2012

Carnaval atrapalha vendas de veículos novos no RN

As vendas de veículos novos em fevereiro de 2012 no RN registraram uma queda de 14,35% frente ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano o total de veículos novos vendidos no estado foi de 11.134 veículos, ante 11.546 em 2011.

Provavelmente essa queda registrada em fevereiro seja decorrente do fato de que o carnaval em 2012 caiu no naquela mês, diferente do que aconteceu no ano passado.

Em função disso, imagino que esse tenha sido um fato apenas pontual e que esse ano as vendas totais de veículos irão ultrapassar os números de 2011. Mas lembro que em 2011 ocorreu uma queda de 2,36% nas vendas de veículos no estado.

A queda de fevereiro provavelmente terá consequências nas estatísticas do comércio varejista ampliado do RN do IBGE. Em janeiro os resultados desse segmento foram positivos nas estatísticas daquele órgão, refletindo justamente esse aumento de vendas dos veículos.



15 março, 2012

Os Investimentos do PAC 2 no RN: Foco em Energia

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) prevê para o RN um volume total de investimentos de R$ 38,98 bilhões, dos quais R$ 34,8 bilhões serão em empreendimentos exclusivos e o restante em obras de caráter regional (abrangendo mais de um estado).

Do valor previsto, R$ 20,85 bilhões serão investidos no período 2011-2014 e os demais R$ 18,3 bilhões somente pós-2012.


O foco dos investimentos do PAC 2 no RN será o setor de energia, para quem irão se destinar aproximadamente R$ 30,80 bilhões dos investimentos programados, portanto, cerca de 79% dos recursos totais.



Uma abertura dos investimentos programados para energia revelam que no período 2011-2014 os mesmos serão fortemente concentrados na geração de energia eólica. Do total de investimentos previstos para a geração de energia elétrica (R$ 9,54 bilhões), serão destinados à geração eólica um volume de R$ 8,49 bilhões. Além destes serão destinados R$ 25 milhões para geração de energia a partir de biomassa de cana de açúcar (investimento já concluído no município de Baía Formosa) e R$ 800 milhões para uma termelétrica a óleo que, salvo engano, já está sendo construída às margens da BR 101 no município de Macaíba.

O setor de petróleo e gás irão responder por aproximadamente R$ 20,2 bilhões. Grande parte desse valor, porém, só será aplicado após 2012. Entre 2011 e 2012 o PAC 2 prevê investimentos de R$ 3,03 bilhões no desenvolvimento da produção de petróleo e gás no estado e outros R$ 220 milhões na Refinaria Clara Camarão em Guamaré.

O restante dos investimentos em petróleo e gás (R$ 16,9 bilhões) serão aplicados após 2014 e se destinarão ao desenvolvimento da produção. Não há no documento do PAC maiores detalhes sobre esses investimentos em petróleo e gás após 2014.



Esses números demonstram que mesmo com a redução que estamos registrando na produção de petróleo e gás no estado, o setor ainda tem uma significativa importância na economia local e que o mesmo irá responder por importante parcela dos investimentos a serem realizados no RN nos próximos anos.

Também demonstra o peso do setor de energia (petróleo, gás e energia eólica) no padrão de investimentos no estado para os anos vindouros. 

12 março, 2012

Contrariando Tendência Nacional, Cai a Movimentação de Passageiros no Aeroporto de Natal

A movimentação de passageiros no aeroporto de Natal em janeiro de 2012 foi de 274,5 mil passageiros, queda de 9,55% sobre janeiro do ano passado. Se levarmos em consideração a movimentação nos meses de dezembro e janeiro (grosso modo seria o período de alta estação do turismo na capital potiguar) a queda foi de 8,62%. Na virada de 2010 para 2011 (meses de dezembro e janeiro) passaram pelo aeroporto de Natal 548 mil passageiros. Porém, na virada de 2011 para 2012 essa movimentação caiu para 500,7 mil passageiros.


Entre as capitais do Nordeste somente os aeroportos de Natal e Salvador registraram quedas na movimentação de passageiros em janeiro de 2012 frente ao mês do ano anterior. Em Natal a queda foi de 9,55% e em Salvador foi de 10,55%. João Pessoa e Aracaju apresentaram os maiores índices de crescimento entre as capitais da região Nordeste no mês de janeiro.


Mas o que mais me chamou a atenção foi que essa queda não ficou restrita ao bimestre dez/jan, na verdade ela é mais significativa. No semestre que vai de julho a dezembro de 2011 a movimentação de passageiros foi inferior ao mesmo semestre de 2010 e também ao primeiro semestre de 2011.

Quando comparamos a movimentação no aeroporto de Natal no último semestre de 2011 com o último de 2010 verificamos que ocorreu uma queda de 2% no total de passageiros. Apesar de ser uma queda pequena, esse movimento contrasta com o crescimento dos semestre anteriores e também com a tendência nacional, cujo crescimento no período foi de 12%.

Comprado ao primeiro semestre de 2011 o período de julho a dezembro de 2011 no aeroporto de Natal foi ainda mais decepcionante: queda de 4%. Na soma de todos os aeroportos do país a movimentação cresceu 9% nesse mesmo período.

Portanto, há uma queda na movimentação de passageiros no aeroporto local que contrasta com o ritmo do setor no cenário nacional.



11 março, 2012

Exportações do RN Crescem 55% Puxadas Pelo Setor Sucroalcooleiro

No primeiro bimestre de 2012 o RN exportou US$ 55,5 milhões, valor 55% maior que os US$ 35,8 milhões exportados no mesmo período de 2011.


Essa recuperação das exportações locais em relação a 2011 e 2012 é um bom sinal de que a atividade exportadora este ano terá um desempenho melhor do que no ano anterior. Mas provavelmente ainda não recuperaremos os padrões de meados da década.

O setor de fruticultura continua liderando a pauta de exportações do estado e foram responsáveis por exportar nesse primeiro bimestre um total de US$ 23,8 milhões, com crescimento de 19,4% sobre o mesmo bimestre do ano passado. Melões e a castanha de caju continuam liderando a lista de exportações de frutas do estado. A única fruta que registrou queda no valor das exportações esse ano foi a manga.



Mas o setor responsável pelo grande salto nas exportações do estado este ano está sendo, até o momento, as usinas de açúcar a álcool. No primeiro bimestre do ano passado as exportações desse segmento no RN foi zero, esse ano as usinas locais exportaram aproximadamente US$ 11 milhões, sendo nove milhões de açúcares e 2 milhões de álcool.