Redirecionamento

29 novembro, 2012

Geração Termelétrica no RN Continua em Alta

As termelétricas localizadas no território potiguar continuam com uma elevada produção mensal de energia elétrica. Essa produção alta objetiva economizar água nos reservatórios, uma vez que a curva de energia armazenada nos mesmos está abaixo da média histórica.


Por outro lado, a volta do aquecimento da economia da região Nordeste fez a curva de demanda subir ao longo deste ano. Conforme podemos ver abaixo o consumo de energia elétrica na região está acima daquele verificado em 2011.


Diante de um quadro de demanda aquecida e de reservatório com baixo nível de acumulação de água o Operador Nacional do Sistema decidiu aumentar a carga das usinas termelétricas. No estado foram beneficiadas sobretudo a Termoaçu, localizada em Alto do Rodrigues e cuja produção vem girando em torno de 310 Mwh, e as duas temelétricas (Potiguar e Potiguar III) a óleo combustível localizadas no município de Macaíba.


Nas últimas quatro semanas o estado tem gerado em torno de 500 Mwh, sendo que aproximadamente 90 Mwh tem sido de energia eólica e o restante de fontes fósseis, onde aproximadamente 310 Mwh em termelétrica a gás e outros 100 Mwh em termelétricas movidas a óleo combustível. No caso dessas últimas as mesmas são as mais caras e mais poluentes na matriz energética brasileira.

28 novembro, 2012

O Forte Crescimento da Movimentação do Porto de Natal em 2012

Conforme já sinalizamos em postagens anteriores, 2012 caminha para ser um ano de record na movimentação de carga no porto de Natal.

Entre janeiro e setembro deste ano o referido porto havia movimentado 8.567 contêneires, um crescimento de 67% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos de TEU ( (em inglês: twenty feet equivalent unit), unidade de medida habitualmente utilizada no setor, o crescimento este ano chega a 70%.


No caso das cargas em geral (por exemplo as importações de trigo e as exportações de minério de ferro), o crescimento também tem sido expressivo. Nesse ano (jan-set) o porto já movimentou o equivalente a 280 mil toneladas de mercadorias, contra uma movimentação de 178 mil toneladas no mesmo período do ano passado. 

O crescimento ocorreu sobretudo nas cargas de embarque, cujo volume praticamente triplicou este ano em comparação com 2011.


25 novembro, 2012

Uma Entrevista Atual: "A infraestrutura é um nó que impede o crescimento mais rápido do RN"

Faz quase um ano que concedi a entrevista abaixo para o Jornal Tribuna do Norte. Os dados divulgados na última sexta-feira pelo IBGE sobre o PIB do RN em 2010 reforçam o que disse 12 meses atrás. Repetiria tudo hoje sem tirar uma vírgula. 


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Entrevista a Renata Moura - Editora de Economia do Jornal Tribuna do Norte

No período de oito anos compreendidos entre 1995 e 2002, nenhum estado do Nordeste e nem o país cresceram tanto quanto o Rio Grande do Norte. Enquanto o estado avançou 24,51% no período, vizinhos como o Ceará e Pernambuco nem sequer alcançaram o patamar de 15%. Boa parte da expansão da economia potiguar era creditada ao desenvolvimento da indústria do petróleo. Com a queda na produção em decorrência do amadurecimento dos campos, a indústria, porém, perdeu força. Outras atividades econômicas de peso  desaceleraram e o resultado dessa equação foi uma inesperada marcha lenta para o RN. Para se ter ideia de como o estado passou de protagonista à coadjuvante na região, o crescimento registrado entre 2002 e 2009 ficou na casa dos 24,60%. Enquanto isso, o de Pernambuco, por exemplo, dobrou. O do Piauí mais que triplicou. Todos os outros estados se expandiram mais que o RN. Para o economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no estado (IBGE RN), José Aldemir Freire, investimentos realizados nos vizinhos e deficiências na infraestrutura potiguar estão entre as possíveis razões para a perda de ritmo. Nesta entrevista, ele faz uma análise de indicadores recentes e, mais do que isso, aponta desafios que o estado terá de vencer para retomar posição de destaque, num cenário regional cada vez mais dinâmico. Freire também observa que o crescimento, embora abaixo dos demais estados, ficou socialmente mais juto. Como houve também essa transformação, ele comenta a seguir. Confira a entrevista:

aldair dantasJosé Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE no RNJosé Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE no RN

Fazendo uma retrospectiva além de 2011, temos dados que mostram desaceleração da economia do Rio Grande do Norte. Que análise é possível fazer dos últimos anos?

De 1985 até o início dos anos 2000, a tendência da economia do Rio Grande do Norte foi crescer mais do que a economia brasileira e mais do que a economia nordestina. Isso porque nesse período houve a expansão da indústria do petróleo no estado, da fruticultura irrigada, com frutas como melão, e de setores como a indústria têxtil. A partir do início dos anos 2000 não é que o ritmo de crescimento desacelerou. Nosso ritmo de crescimento ao final da década de 2000, em 2007, 2008, 2009 (o de 2009 foi divulgado na última semana) é mais acelerado que no início da década, mas passamos a ter uma dinâmica de crescimento inferior à média nacional e do Nordeste. Não é que estejamos crescendo menos do que estávamos. Estamos crescendo mais. Mas a economia brasileira e a nordestina aceleraram mais.

Por que a marcha lenta em relação a outros Estados?

Uma das razões para isso está no esgotamento da economia do petróleo. Desde meados da década o estado vem produzindo cada vez menos petróleo. Este ano há sinais de leve recuperação. O cultivo de camarão também perdeu força. Além disso, você teve no país uma série de grandes investimentos em infraestrutura que não tivemos no RN. Você tem investimentos ligados ao pré-sal, outros nos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), que estão transformando esses estados em pólos econômicos maiores. Tem também a construção da ferrovia  Transnordestina (que pretende ligar os portos de Suape a Pecém. Tudo em outros estados. Você teve desenvolvimento do Oeste da Bahia, no Sul do Piauí, no Maranhão. Todos se desenvolveram nessa década. Foram economias que se expandiram nesse período no Nordeste e que puxaram  a economia da região.

Por que o Rio Grande do Norte não acompanhou esse movimento?

O RN cresceu. Aumentou o ritmo de crescimento comparado ao início da década. Mas houve investimentos estruturais em outros estados  que acabaram puxando mais esse crescimento do que o nosso. Mas há uma diferença entre nosso crescimento pós anos 2000 e o que tínhamos antes. É que ele passou a ser melhor distribuidor de renda. Tivemos um crescimento antes dos anos 2000 puxado muito pela produção (em grande parte pela produção de petróleo), mas  bastante concentrador de renda. De 2002 ou 2003 para cá o que se tem é um crescimento puxado pelo consumo e equitativamente mais justo. É tanto que apesar de os indicadores de concentração de renda permanecerm altos, essa concentração de renda diminuiu. E diminuíram os indicadores de pobreza. Então o padrão de crescimento agora, desse ponto de vista, é melhor. Mudou o padrão de setores que puxam a economia. A economia passa a ser puxada por setores associadaos à demanda, à credito, à renda (como são os casos do comércioe  da construção civil).  Temos um padrão de crescimento mais desconcentrador de renda. E socialmente mais justo.

Mas quando se fala em tantos investimentos em outros Estados, a impressão que se tem é que o RN ficou estático, enquanto os outros se moviam. Por que o Estado não acompanhou essa dinâmica de investimentos necessários em infraestrutura, que estão transformando esses outros Estados em polos de crescimento?

Na verdade, tivemos alguns investimentos, como a duplicação da BR 101, a expansão da refinaria em Guamaré, instalação de algumas indústrias. Mas fora isso você não consegue visualizar como visualiza em Pernambuco, por exemplo. Em Pernambuco você visualiza uma leva de investimentos associados à Suape, a refinaria, uma série de indústrias para atender a região Nordeste. Um exemplo disso você nos supermercados, onde a maior dos os alimentos industrializados vem de Pernambuco. A mesma coisa aconteceu no Ceará. De fato, ficamos sem esses investimentos estruturantes.

É falta de investimento em infraestrutura que está deixando o RN para trás na captação de grandes investimentos, é falta de agressividade na concessão de incentivos? O que está faltando?

Em parte é falta de infraestrutura. Umas das razões alegadas para termos perdido a refinaria foi a falta de um porto. Temos um porto, mas não é competitivo. Outro fator é que as economias de Recife, Fortaleza e Salvador são mais robustas. Do ponto de vista lógico, do empreendedor, é melhor instalar uma indústria perto de Recife, perto do mercado consumidor, e transferir para cá apenas uma pequena parte da produção, do que instalar aqui, vender só uma parte aqui e transferir para lá grande parte da produção. Os custos dele com deslocamento seriam maiores. Seria preciso ter vantagens para reduzir esse custo de deslocamento. Essas economias lá (de outros estados) são mais dinâmicas pela própria estrutura que elas têm. Para a Bahia foram indústrias automobilísticas.  Maranhão, Piauí estão crescendo na produção de grãos. Há fatores que impulsionam essas economias  que são recursos naturais, outros são de infraestrutura. Acho que a questão é mais estruturante. Mas para os próximos anos você vê alguns reforços no RN: os investimentos em energia eólica e o aeroporto, por exemplo. Temos também algumas grandes lutas do ponto de vista estruturante.

Por exemplo?

A duplicação da BR  que vai a Fortaleza, transformar o aeroporto de São Gonçalo em mais que um aeroporto de passageiros. A questão do porto é outra. O Porto aqui dentro da cidade é inviável. E não adianta expandi-lo para a outra margem do rio. Há questões ambientais envolvidas. Outra: os portos do Nordeste que se desenvolveram recentemente foram construídos fora da área urbana. Não faz sentido reforçar esse porto. Ele deveria se converter num porto para navios turísticos e o porto de cargas iria para o interior, mais perto das regiões produtivas. E aí você construiria uma malha ferroviária para esse porto. Há uma ideia em Natal de construir malha ferroviária ligando o porto ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Eu sempre ouvi dizer que carga ferroviária é competitiva a longas distâncias. Com grandes volumes. Para que construir essa ligação? É inviável. Eu acho que há uma indefinição grande por parte dos gestores públicos sobre o que se quer em porto, aeroporto e ferrovia. E não estou me reportando só a esse governo..É preciso definir aonde  quero um porto, que áreas serão interligadas pela linha ferroviária pela qual vou lutar. É preciso definir quais são as grandes obras estruturantes que o estado precisa. Não pode ficar com mais de uma proposta. Não pode haver indefinição nisso. Temos vários planos de desenvolvimento regionais, cada um com uma ideia. E não se tem um esforço conjunto por essa infraestrutura. Do ponto de vista estruturante a grande batalha da década seria o reforço da malha logística do estado.


Você falou de atividades e deficiências que fizeram com que a economia potiguar caminhasse mais lentamente, mas em 2011 tivemos também alguns fatores externos como a crise global e inflação. Qual é o balanço do ano? Como esses fatores externos impactaram a economia potiguar?

Nós crescemos hoje seguindo a dinâmica nacional. Em 2010 crescemos muito. Não temos os dados do PIB do ano ainda, mas devemos ter crescido e torno de 7%, como cresceu o Brasil. Nacionalmente, a economia em 2011 deu uma desacelerada, ocasionada sobretudo pelas políticas de contenção ao crédito e aumento de juros que visaram justamente combater a ameaça de inflação. Isso acabou afetando nossa economia. Desaceleramos. Vamos crescer provavelmente no ritmo nacional, metade ou menos do que crescemos em 2010. O único setor que foi bem no RN foi a  agropecuária, porque 2010 foi ano de seca e neste ano foi diferente. Mas o peso da atividade  no estado é pequeno. Bom, a produção de petróleo também parou de cair. Mas o comércio desacelerou - embora alguns setores estejam crescendo, como a parte de smartphones, tablets e notebooks. A construção foi outra que deu uma desacelerada. Você já não vê uma efervescência de lançametos como há alguns nos. As exportações estão no mesmo patamar de 2010. O emprego cresce em ritmo menor. No geral, quando se olha para 2011, se vê nitidamente a desaceleração no RN, acompanhando a desaceleração da economia brasileira.  Em 2012, embora ainda seja incerto por causa da crise global, estaremos pelo menos no ritmo de 2011, na faixa de 3%. Uma aceleração deve vir em 2013 e 2014.

O Rio Grande do Norte vem experimentando um crescimento muito baseado na indústria eólica, nos últimos dois anos. Mas esse crescimento é sustentável?

A energia eólica não vai se transformar no motor do desenvolvimento do RN. É diferente da economia do petróleo que se instala e fica por muitos anos com capacidade grande  de geração de riqueza. No caso das eólicas ficamos com a  parte menos nobre das indústrias: ficamos com os parques eólicos. A parte mais nobre é a de produção de equipamentos para essa indústria. Aí você não dependeria da implantação de parques aqui. Você teria o mundo inteiro como mercado. Mas a infraestrutura nos faltaria também para isso. A indústria iria exportar por onde? Pelo nosso porto? É uma dificuldade porque o porto está dentro da cidade. Hoje temos um boom de investimentos associado aos parques eólicos, mas depois o impacto na economia deixa de ser expressivo. Eles não geram, por exemplo, muitos empregos após as obras. Em algum momento o setor vai perder o seu dinamismo. E os maiores impactos vão ocorrer nos municípios que estão recebendo as construções. Mas vamos aproveitar o momento (de boom) que temos agora.

Dados recentes do PIB e sobre pobreza mostram que o Estado tem municípios ricos (como os produtores de petróleo, que têm recebido também investimentos na área de energia), mas com populações pobres. Por que esse descompasso?Nossos municípios não prepararam suas populações para se inserirem nessas economias. Ou prepararam para serem peões da construção civil e das usinas eólicas. Em Guamaré, por exemplo, quem trabalha na Petrobras é gente de fora ou de Natal. Os municípios não criaram condições para suas populações competirem em igualdade com os forasteiros. Isso leva a uma situação esdrúxula em que há um município rico com uma população pobre.

Em meio a esse cenário de perda de fôlego do Estado, houve avanços também?

Tivemos ganhos nesse período. Tivemos um avanço significativo na redução da desigualdade social, tivemos avanço significativo na redução da pobreza, tivemos aumento de renda da população, melhoria na educação, no acesso a energia, ao saneamento básico. O RN de hoje é melhor que o de 10 anos atrás. Os indicadores sociais e econômicos apontam isso. Mas essa melhoria poderia ser acelerada, poderia ser melhorada, se equacionassemos as nossas deficiências estruturais. Sem infraestrutura o estado continuará crescendo menos que os outros estados. A Infraestrutura é fundamental. E é um nó que impede o crescimento mais rápido do RN.

24 novembro, 2012

A Perda de Competitividade da Economia do RN

Hoje faz exatamente um ano que fiz uma postagem no blog onde afirmava que "Desde 2003 que o padrão de crescimento do RN vem sendo, sistematicamente, inferior à média de crescimento do Brasil e da Região Nordeste. Essa situação contrasta com o período imediatamente anterior (1996-2002), quando a economia do RN cresceu em todos os anos em um ritmo superior às economias brasileira e nordestina."

Alem disso, como em 2009 o crescimento do PIB do RN foi maior que o crescimento do PIB brasileiro e nordestino, eu dizia também que "esse maior crescimento do PIB do RN frente ao Nordeste e ao Brasil em 2009 é um ponto fora da curva na tendência recente do crescimento do estado."

 Para acessar a essa postagem de novembro de 2011 click aqui.

Ontem o IBGE divulgou os resultados do PIB de 2010. Os dados só confirmam a minha tese escrita um ano atrás: o RN vem perdendo competividade de crescimento no contexto da economia brasileira e nordestina.

Nos anos recentes ocorreu de fato uma aceleração no ritmo de crescimento do estado, mas a aceleração verificada no Nordeste e no Brasil foi bem superio ao que ocorreu no Rio Grande do Norte.

Em 2010 o estado teve um dos mais baixos crescimento do país e do Nordeste. No acumulado ao longo da década nosso desempenho também fica na rabeira do ranking nacional.

Além desse desempenho ruim as perspectivas para 2011 e 2012 não são muito melhores. Nesse biênio o crescimento do estado muito provavelmente foi abaixo do de 2010 e quase seguramente também inferior ao ritmo do país e da nossa região.

Abaixo segue os principais resultados do IBGE para o PIB do Rio Grande do Norte em 2010. Habitualmente não gosto de fazer cópia de reportagens já publicadas em jornais, mas o material da Tribuna do Norte ficou tão bom que estou reproduzindo abaixo seu infográfico.


21 novembro, 2012

Breve pausa nas postagens

Essa semana estou participando do XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, promovido pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Por isso as postagens estão paradas. Mas na próxima semana elas retornam ou na próxima sexta ou sábado (23 ou 24 de novembro), com uma postagem sobre o PIB do RN em 2010, cujos dados o IBGE divulga no próximo dia 23/11.

14 novembro, 2012

Perfil dos Gestores de Educação e Saúde nos Municípios do RN - Qualificação X Autonomia

Ontem, 13/11, o IBGE divulgou a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC 2011), que retrata o perfil das administrações públicas municipais brasileiras em seus mais diversos aspectos.

Um aspecto que me chamou a atenção foi o perfil dos gestores municipais das áreas de saúde e educação dos municípios do RN. 

Esse dois setores geralmente abrigam as mais importantes secretarias municipais e o desempenho de cada um deles tem um impacto significativo na vida dos munícipes. Além disso, dada a crescente complexidade exigida pela condução dessas pastas (complexidades legais, técnicas, de planejamento, monitoramento e avaliação das ações dessas secretarias), é de se esperar que os gestores dessas áreas no município passem por uma crescente especialização, com profissionais habilitados e capacitados tecnicamente para o desempenho de suas funções.

Em primeiro lugar, cabe destacar que para ambas as áreas predomina secretários municipais do sexo feminino. Na educação o percentual é de 64% de mulheres e na saúde é de 67%. A idade predominante desses gestores municipais, para as duas áreas, é entre 41 e 60 anos.

Mas dois outros indicadores chamam bastante a atenção de quem se debruça sobre os dados da pesquisa. O primeiro deles é que existe uma grande disparidade em termos de perfil educacional dos gestores de educação e saúde no RN (essa disparidade também se repete à nível nacional). Enquanto na educação 98% dos titulares dos órgãos responsáveis pela educação no município possuem cursos de graduação ou pós-graduação (53% possuem pós), na área de saúde o percentual é de apenas 65%.

Mais interessante ainda, em 30% dos municípios do RN (50 localidades), os secretários(as) municipais de saúde possuem no máximo o ensino médio. Aliás em 8 cidade o secretário(a) municipal de saúde não possui nem o ensino médio completo.


Mas há ainda um segundo indicador que embaralha essa análise. Paradoxalmente, embora os gestores municipais de educação dos municípios do RN possuam, na média, um grau de qualificação bem melhor que os gestores municipais de saúde, são estes últimos que possuem maior liberdade para gerir os recursos públicos da área.

Segundos os dados da MUNIC 2011, os gestores municipais da educação nos municípios do RN respondem por apenas metade dos fundos municipais de educação. Em outros termos, em metade dos municípios do RN os gestores dos fundos municipais de educação não são os respectivos secretários(as) de educação. Uma parcela expressiva da gestão desses fundos está vinculada ao gabinete do prefeito.

Na área de saúde, por sua vez, em 83% dos municípios a gestão do fundo municipal de saúde está com o gestor da área de saúde.



A impressão que eu tenho é que na área de educação uma grande parte dos prefeitos escolhe o secretário(a) da área a partir de suas qualificações técnicas (obviamente que isso não descarta em absoluto aspectos políticos dessa escolha). Todavia, não concede a essa pessoa autonomia financeira para o exercício de suas funções. O gestor da educação nesses municípios provavelmente possui mais liberdade para a organização pedagógica do sistema municipal de ensino e menos  liberdade para a gestão financeira da área. Claro que fica a indagação sobre a qualidade da gestão financeira dessa área e sobre quem define, e sob quais critérios, os destinos dos recursos do fundo municipal de educação.

Na saúde, porém, apesar do gestor da área nos municípios possuírem menos qualificação, os mesmos são responsáveis pela gerência das disponibilidades financeiras de seus respectivos fundos.

13 novembro, 2012

RN é o 4º Maior Exportador Brasileiro de Frutas

Quem acompanha o blog já sabe que o principal item da pauta de exportações do RN são as frutas (incluído castanha de caju). O estado, assim como a região Nordeste do país, é um dos grandes exportadores desses produtos.

Entre janeiro e outubro de 2012 o Brasil exportou US$ 683,3 milhões em frutas, sendo que as principais nesse período foram: castanha de caju (US$ 161,8 milhões), mangas (US$ 99,66 milhões), uvas (US$ 98, 3 milhões), melões (US$ 86,9 milhões) e limões (US$ 50,4 milhões).

Os principais estados exportadores de frutas são: Ceará, Bahía, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Juntos esses quatro estados do Nordeste respondem por 73% das exportações brasileiras de frutas.


Caem as Exportações do Rio Grande do Norte

Entre janeiro e outubro de 2012 o Rio Grande do Norte exportou US$ 202,2 milhões. Esse valor é 3,94% menor do que o registrado no mesmo período de 2011.

No começo do ano eu acreditava que as exportações do estado iriam chegar a aproximadamente US$ 300 milhões, cerca de US$ 20 milhões a mais do que as exportações totais de 2011, que foram de US$ 281,2 milhões. No momento atual, porém, já descarto quase que completamente a possibilidade de nossas exportação alcançarem a ordem dos US$ 300 milhões e hoje duvido muito até que consigamos repetir o mesmo número do ano passado. Tenho a impressão de que ficaremos com um valor exportado abaixo do registrado em 2011.


Conforme podemos ver no gráfico acima os valores exportados em outubro de 2012 foram decepcionantes frente a esse mesmo mês do ano passado. Ocorreu uma queda de 24%. Em outubro de 2011 o RN exportou US$ 35,76 milhões, nesse mesmo mês em 2012 as exportações caíram para US$ 27,2 milhões.

No contexto do Nordeste, ao longo dos 10 primeiros meses do ano, o RN apresenta o terceiro pior desempenho. Somente Alagoas e Ceará registraram um desempenho pior que o nosso ao longo deste ano. Na região as exportações totais cresceram 3,94%.


Um dado interessante é que dos US$ 15,8 bilhões exportados pelo Nordeste ao longo dos primeiros 10 meses de 2012, cerca de 60% saíram da Bahia. O Rio Grande do Norte respondeu por apenas 1,3% das exportações da região nesse período.



12 novembro, 2012

Vendas de Automóveis Aumentam e Caem as de Moto

Os mercados de automóveis e motos no RN em 2012 vem apresentando um comportamento absolutamente  distinto ao longo deste ano. 

As vendas de automóveis novos ao longo dos primeiros nove meses do ano no estado alcançaram um volume de 22.392 unidades, um crescimento de 16,76% sobre o mesmo período do ano passado.

No caso das motos foram vendidas no RN entre janeiro e setembro deste ano um total de 24.210, queda de 11,44% sobre as 27,336 vendidas no mesmo período do ano passado.

Esse movimento também está sendo registrado no mercado brasileiro, ou seja, de crescimento nas vendas de automóveis e queda nas vendas de motos. Muito provavelmente os incentivos fiscais concedidos a venda de veículos novos vem afetando o mercado de automóveis positivamente. Sem esses incetivos as vendas de motos estão em queda. Outra possibilidade, porém, seria que o mercado de motos já estaria "maduro" e a população, com renda mais elevada, estava deixando de comprar as mesmas para comprar carros.


07 novembro, 2012

Mossoró/RN no Mapa da Construção de Sondas Para a Petrobrás

A revista Brasil Energia do mês de outubro de 2012 (veja aqui) trouxe uma boa notícia para o RN: serão construídas em Mossoró 20 sondas tipo workover para substituírem sondas que hoje operam em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Segundo a revista os vencedores da licitação da Petrobrás para a construção de tais sondas foram as empresas ETX (dez unidades), Empercom (seis) e Braserv (quatro). 

O bom da notícia é que a Petrobrás tem uma grande plano de renovação de suas sondas e planeja fazer isso com empresas brasileiras e utilizando um alto conteúdo local de produção. Com a decisão das empresas vencedoras de utilizar Mossoró como local de construção de tais sondas a cidade tem condições de vencer outras rodadas licitatórias e se consolidar como um importante polo nacional de produção desses equipamentos.

A revista também revela que faz 20 anos que o Brasil não produzia sondas desse tipo e que a Petrobrás tem interesse em fortalecer essa indústria nacional. Com essa decisão, portanto, Mossoró larga na frente nessa corrida por recuperar a capacidade nacional de produção de sondas para o setor de petróleo.


Térmicas Emergenciais "Potiguar" e "Potiguar III" São Ativadas

Conforme já colocamos aqui recentemente, o baixa do nível de água dos reservatórios do Nordeste tem feito com que o Operador Nacional do Sistema (ONS) acentue o despacho da produção termelétrica da região. Essa decisão vem impactando significativamente a geração elétrica no RN.

Desde a segunda quinzena de setembro que o estado vem produzindo ao redor de 400 MWmédio por semana, dos quais aproximadamente 300 MW vem da usina termelétrica Jesus Soares Pereira, localizada no município de Alto do Rodrigues.

Na semana de 27/10 a 02/11 a geração elétrica do RN provavelmente bateu seu recorde histórico, quando foi gerado no estado em média 496 MW. 


Mas a grande novidade da semana foi o despacho das térmicas movidas a óleo diesel "Potiguar" e "Potiguar III", ambas localizadas no município de Macaíba/RN. Essas duas térmicas geraram 104 MWmédio. Essas térmicas são classificadas como emergenciais e só são despachadas em momentos mais críticos da oferta de energia. Funcionam como uma espécie de "seguro" do sistema elétrico nacional.

O grande problema delas é que usam um combustível fóssil (óleo diesel) que é fortemente poluente e também a energia gerada por elas tem um custo muito elevado.


06 novembro, 2012

Produção e Processamento de Petróleo no RN em 2012

Entre janeiro e setembro deste ano o Rio Grande do Norte produziu 16,3 milhões da barris de petróleo, um aumento de 2% sobre o volume produzido no mesmo período do ano passado. Nesse mesmo intervalo de tempo a Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré/RN, processou 10,1 milhões de barris, o equivalente a 62% da produção estadual de petróleo e um aumento de 9,6% sobre o volume processado nos nove primeiros meses de 2011.


O volume de derivados de petróleo produzidos no RN entre janeiro e setembro de 2012 foi de 853,7 mil metros cúbicos de combustíveis, com aumento de 16,81% sobre o volume produzido nesse mesmo período de 2011.


A maior produção é de óleo diesel, nesse ano o estado já produziu 482,3 mil metros cúbicos do mesmo. Em segundo lugar vem a produção de gasolina tipo A, com produção de 277,4 mil metros cúbicos e depois aparece o querosene de aviação, cujo volume produzido no RN este ano foi de aproximadamente 94 mil m³.




31 outubro, 2012

Estudo Nordeste Competitivo - O Rio Grande do Norte Ficando Para Trás?

Ontem (29/10) a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo denominado "Projeto Nordeste Competitivo", cujos objetivos, segundo os formuladores, é "ajudar o governo a planejar no médio e longo prazo a infraestrutura de transporte e logística para integrar  os estados da região".

Um dos destaques do estudo é a necessidade de investimento na infraestrutura portuária da região. Textualmente eles afirmam que "no caso dos portos, atualmente apenas o Complexo Portuário de São Luís e o Porto de Recife utilizam mais do que suas capacidades permitem. Em 2020, no entanto, seis portos vão operar acima da capacidade e outros dois estarão com potenciais gargalos. Os casos mais críticos devem ser os do Complexo Portuário de São Luís e do Porto de Natal."

O que mais me surpreendeu no estudo, porém, foi a MEDIOCRIDADE das alternativas logísticas propostas para o RN. Apesar do termo forte, quero demonstrar nesse pequeno texto que os projetos logísticos apresentados para o RN são insuficientes para dar conta das necessidades logísticas do desenvolvimento do nosso estado. Caso o RN tenha apenas os investimentos previstos nesse "PROJETO" o estado ficará  para trás na comparação do desenvolvimento econômico com os outros estados da região. 

A primeira indicação da nossa pouca importância no citado estudo está no volume previsto de investimentos. O documento prevê um volume total de investimentos logísticos (portos, hidrovias, ferrovias e rodovias) no Nordeste da ordem de R$ 25,8 bilhões, sendo que para o RN o volume previsto é de apenas R$ 400,4 milhões, equivalente a 1,55% dos investimentos projetados pela CNI para a região.

A segunda indicação é a lista de obras previstas para o estado.



Das quatro obras previstas, 3 já estão em andamento em diferentes fases, são elas: dragagem e construção do berço 4 no Porto de Natal e pavimentação da BR 110 entre Mossoró e Campo Grande. Portanto, de novidade há apenas a construção do trecho da BR 110 entre Janduís e Serra Negra do Norte.

No aspecto rodoviário os investimentos previstos pela CNI para o RN fazem parte de um plano mais amplo de integração do eixo rodoviário entre Mossoró/RN e Salvador/BA. 


Apesar de ter sua importância, não acredito que tal obra seja capaz mudar significativamente os rumos da economia local ou melhorar significativamente nossa logística de escoamento produtivo. Pelo menos duas outras obras rodoviárias eu seria capaz de citar em complementação a essa acima: a conclusão da pavimentação da BR 226 e, mais importante e fundamental para o desenvolvimento do estado, a DUPLICAÇÃO DA BR 304.

Mas além desse enorme "lapso" do estudo nas obras importantes no nosso modal rodoviário, o mais grave foi na questão ferroviária e portuária.

O estudo identifica uma potência área de exploração de ferro na região do Seridó potiguar, cujo volume anual de carga pode chegar 6,64 milhões de toneladas.


Ora, tais recursos são fundamentais para o estado ser inserido na malha ferroviária nacional e para a construção de um novo porto em águas potiguares.

Todavia, o estudo propõe que esse minério seja escoado por uma estrada de ferro entre Juazeiro do Norte e Suape, sendo esse, portanto, a porta de saída da produção de ferro local.

Por esses novos investimentos o estado continuaria excluído da malha ferroviária brasileira e Nordestina e perderia a chance de ter um novo porto, destinado a cargas em granéis e localizado no litoral norte do Rio Grande do Norte.


Portanto, tal estudo da CNI não atende aos interesses econômicos do Rio Grande do Norte e nos condena a um retardamento no desenvolvimento comparativo da região, sobretudo em relação aos grandes estados do Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará. 

Para mim, do ponto de vista da economia estadual, o destino desse estudo é a lata do lixo.

29 outubro, 2012

Agricultura do RN: Um Panorama da Área Plantada/Colhida

Em 2011 a área plantada da agricultura do Rio Grande do Norte foi de 425,5 mil hectares, sendo 264,7 mil com lavouras temporárias (incluídas as de ciclo longo como cana-de-açúcar e mandioca) e 160,8 mil com lavouras permanentes.


Em termos de área nós temos 4 cultivos que dominam a agricultura estadual e respondem juntas por 77% da área plantada no RN. São elas: castanha de caju, 126,2 mil hectares, milho com 73,8 mil ha, feijão com 70,1 mil ha e cana-de-açúcar com 59,5 mil ha.

Dois outros produtos com áreas relativamente extensas de cultivo são a mandioca (25,7 mil ha) e o coco (21,7 mil ha).


Uma análise da evolução da área agrícola colhida no RN ao longo das últimas duas décadas revela alguns pontos interessantes: o primeiro deles é que, dadas as constantes variações pluviométricas que atingem a porção semi-árida do estado, há também uma grande variabilidade anual na área colhida, sobretudo com as lavouras de cultivo temporário. O segundo ponto importante é que no início dos anos 90, em anos de chuvas normais, a área das lavouras temporárias aproximava-se das 500 mil hectares por ano. Atualmente, mesmo em anos bons essa área reduziu-se a pouco mais da metade.

A principal razão para esse recuo nas lavouras temporárias do RN foi a redução no cultivo de feijão e milho.   Essas duas culturas são amplamente difundidas no estado e cultivadas por pequenos agricultores. A tecnologia utilizada na produção das mesmas é baixíssima e geralmente o produto destina-se ao autoconsumo das famílias e de seus animais. 

Com baixa tecnologia, cultivos em solos pobres e geralmente em regime consorciado, a produtividade local é muito inferior à média nacional. Para o feijão, por exemplo, em 2011 a produtividade média brasileira foi de 935 kg/ha e no RN de apenas 493 kg/ha. Já no caso do milho a produtividade potiguar foi de 663 kg/ha enquanto a média nacional alcançou 4.210 kg/ha. Mas em vários estados do Centro-Sul do país a produtividade média do milho foi superior a 5.000 kg/ha e em centenas de municípios dessa região a produtividade foi superior a 10.0000 kg/ha e até mesmo a 15 mil kg/ha.




27 outubro, 2012

Perfil da Produção Agrícola do Rio Grande do Norte

O IBGE divulgou ontem (26/10) a Pesquisa Agrícola Municipal 2011 (PAM 2011), que faz um amplo retrato da agricultura brasileira, cobrindo a produção de 64 produtos em todo o território nacional, com dados que detalham até o nível de município as informações sobre área plantada e colhida, quantidade produzida, produtividade e valor da produção.

Segundo os resultados dessa pesquisa a produção agrícola brasileira em 2011 foi de R$ 195,6 bilhões, sendo R$ 156 bilhões oriundos das lavouras temporárias e R$ 39,6 bilhões das culturas permanentes. São Paulo é a Unidade da Federação com o maior valor da produção agrícola, cerca de R$ 35 bilhões. Já em termos de cultura os principais produtos da agricultura brasileira são: soja (R$ 50,4 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 39,2 bilhões), milho (R$ 22,2 bilhões), café (R$ 16,2 bilhões) e algodão herbáceo (R$ 7,3 bilhões).

O RN tem pouca expressividade no contexto geral da agricultura do país. Nossa produção agrícola em 2011 foi de R$ 983, 3 milhões, representando apenas 0,5% do valor da produção agrícola brasileira.

No RN o valor da produção das lavouras temporárias em 2011 foi de R$ 760,5 milhões e das culturas permanentes foi de R$ 224,8 milhões. 


Os principais produtos agrícolas do RN, em termos de valor da produção, são: cana-de-açúcar (R$ 238,1 milhões), melão (R$ 159,8 milhões), abacaxi (R$ 115,6 milhões), banana (R$ 64,3 milhões) e castanha de caju (R$ 63,9 milhões).

Juntos esses cinco produtos respondem por aproximadamente dois terços do valor da produção agrícola brasileira. 

Observa-se também pelos dados do IBGE que há um grande peso da fruticultura no valor da produção agrícola do estado. Se somarmos o valor da produção de todas as frutas produzidas no estado (incluindo a castanha de caju), o valor da produção foi de R$ 535 milhões, cerca de 54% do valor da produção agrícola do RN. Se adicionarmos às frutas o valor da produção da cana de açúcar chegaremos a aproximadamente 78% da produção agrícola potiguar.

As culturas tradicionais, por sua vez, respondem por somente 13,4% do valor da produção agrícola local, sendo o feijão com R$ 51 milhões, a mandioca com R$ 49,3 milhões, o milho com R$ 28,3 milhões e o arroz com R$ 3,4 milhões.


Os municípios do estado com o maiores valores de produção agrícola são: Mossoró (R$ 153,1 milhões), Touros (R$ 107,3 milhões), Baraúna (R$ 104,7 milhões), Baía Formosa (R$ 68,2 milhões) e Canguaretama (R$ 33,8 milhões).

Entre os municípios do RN Serra do Mel se destaca como o maior produtor brasileiro de castanha e Mossoró como tendo a maior produção de melão do país. Touros é o quarto maior produtor brasileiro de abacaxi e Baraúna o sexto de cebola. 




25 outubro, 2012

O RN na Contramão da Produção Brasileira de Petróleo

Entre janeiro e agosto deste ano o RN produziu 14,5 milhões de barris de petróleo, sendo 1,8 milhão em mar e 12,7 milhões em terra. A produção total (terra + mar), registrou um pequeno aumento de 2,24% sobre o mesmo volume produzido nos oito primeiros meses de 2011.


Conforme já relatado aqui mais de uma vez, os aumentos de produção que vem ocorrendo no estado desde 2011 são o resultado dos investimentos que a Petrobrás fez na injeção de água e vapor em alguns campos terrestres da bacia potiguar. 

Como é do conhecimento de todos e está claro no gráfico acima, com o passar do tempo e a contínua extração de petróleo dos campos locais sem que tenha ocorrido novas descobertas significativas, as reservas locais estão caminhando para o esgotamento. Entre 2000 e 2012 a produção local já registra uma queda de aproximadamente 33%.

Esse movimento de queda na produção de petróleo em terras e águas potiguares contrasta com o grande aumento da produção brasileira. Entre 2000 e 2012 (levando em consideração o período de janeiro a agosto de cada ano) a produção do Brasil cresceu 78%, saindo 286 milhões de barris de petróleo nos primeiros 8 meses de 2000 para 508 milhões nos primeiros 8 meses deste ano.


Como resultado desse descompasso entre a produção da bacia potiguar e a produção brasileira, o RN vem perdendo importância na produção de petróleo no país. Em 2000 o estado era responsável por cerca de 7,5 barris de petróleo produzidos no Brasil. Esse ano o estado responde por cerca de 2,9 barris a cada 100 barris que o Brasil produz.



24 outubro, 2012

Seca no Nordeste Faz Aumentar a Geração Termelétrica no RN

A geração de eletricidade na usina termoelétrica Jesus Soares Pereira, conhecida como Termoaçu e localizada no município de Alto do Rodrigues/RN, continua em ritmo bastante forte desde meados de setembro. A média de geração termoelétrica naquela usina tem se situado ao redor de 300 MwMed por semana, o equivalente a três vezes o que habitualmente a usina vinha gerando, conforme podemos ver no gráfico abaixo.


Esse aumento na geração termoelétrica local tem origem em duas causas básicas. 

A primeira delas é o aumento do consumo de energia elétrica na região Nordeste. A carga média de consumo na região ao longo dos 9 primeiros meses de 2012 está cerca de 7,5% acima da média do mesmo período de 2011. Além disso é provável que essa carga continue em crescimento ao longo dos próximos meses do ano.


Contrastando com o aumento do consumo está a segunda razão para o crescimento da geração termelétrica no estado. Em função da seca que assolou a região Nordeste nesse ano, o volume de água dos reservatórios reduziu-se significativamente. A energia hidráulica armazenada nesses reservatórios está bem abaixo do registrado no ano passado e também da média histórica da região.


Para poupar a água do sistema (e consequentemente a energia armazenada nele), o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem feito maiores despachos de energia térmica na região Nordeste. É nesse movimento que as termelétricas a gás (e mesmo aquelas movidas a óleo) tem sido despachadas com mais frequência e com mais intensidade nas últimas semanas.



23 outubro, 2012

A Movimentação de Conteineres no Porto de Natal

A movimentação de contêineres no porto de Natal (que este ano completa 80 anos), vem registrando uma forte alta neste ano. Entre janeiro e agosto de 2012 passaram pelo porto 6.842 unidades, cuja capacidade de carga (medida em TEUs) foi de 13.137 TEUs. Essas dados representam crescimento de 69% e 73%, respectivamente, sobre o mesmo período do ano passado.


No quadrimestre de setembro-dezembro geralmente o volume de cargas movimentado no porto cresce significativamente em relação aos outros meses do ano. É nesse quadrimestre quando ocorre o escoamento da produção local de frutas.

Assim, é de se esperar que nos próximos meses a movimentação no porto aumente em relação aos 8 primeiros meses deste ano. Todavia, duvido muito que o ritmo de crescimento (da ordem de 70%), se mantenha no presente quadrimestre. Um dos sinais da desaceleração no ritmo de aumento da movimentação de contêineres no Porto de Natal é o fato de que em agosto de 2012, pela primeira vez no ano, a movimentação foi inferior ao do mesmo mês do ano passado.


Outro sinal é que no cumulado em 12 meses o gráfico também apresenta sinais de estabilização. Portanto, espero que nos próximos meses ocorra um aumento no número de contêineres movimentado no Porto de Natal em relação aos primeiros meses do ano, todavia, não espero um aumento significativo frente ao últimos quadrimestre de 2011. É possível ocorrer, inclusive, uma menor movimentação no período de set-dez deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a movimentação ao longo de todo 2012 será superior à que foi registrada em 2011.



22 outubro, 2012

Produção de Gás Natural no RN: Forte Queda

A produção de gás natural no RN vem passando por uma tendência de forte queda na última década. Entre janeiro e agosto de 2002 o estado produziu cerca de 900 milhões de metros cúbicos de gás. Nos oito primeiros meses de 2012 a produção foi de apenas 375 milhões de m³. A queda foi, portanto, de quase 60%.


Essa queda na produção local de gás natural está associada ao esgotamento das reservas de gás na bacia potiguar. Esse mesmo fenômeno está ocorrendo também na produção local de petróleo. Para o caso do petróleo, porém, os investimentos da Petrobrás na injeção de vapor e água nos campos terrestres está conseguindo temporariamente conter a queda na produção e possibilitando inclusive uma pequena recuperação.

A tendência a queda da produção norteriograndense de gás natural na última década contrasta com o movimento registrado no país. Nesse mesmo período a produção brasileira cresceu aproximadamente 60%, saindo de 10,6 bilhões de m³ entre janeiro e agosto de 2002 para 16,9 bilhões de m³ entre janeiro e agosto de 2012.




19 outubro, 2012

Um Balanço da Produção Pecuária do RN em 2011

O IBGE divulgou ontem a Pesquisa da Pecuária Municipal 2011 (PPM 2011), que faz uma radiografia dos rebanhos e de alguns dos produtos de origem animal produzidos no país. Os dados detalham as informações até o nível municipal.

Em termos de rebanhos, o RN encerrou 2011 com quase 1,05 milhão de cabeças de bovinos, cerca de 400 mil caprinos e aproximadamente 590 mil ovinos. Esses seriam os nossos principais rebanhos. Destaco nesse caso que a soma de ovinos e caprinos já alcança quase um milhão de animais.

Outro rebanho grande é o de aves (galinhas, galos, frangas, frangos e pintos), cuja soma é de aproximadamente 4,9 milhões de animais.

Entre 2010 e 2011 tivemos queda nos rebanhos bovinos e de asininos. Muares, suínos, caprinos e ovinos registraram um pequeno crescimento. Aves e bubalinos tiveram um crescimento mais expressivo.



Já em relação aos produtos de origem animal o grande destaque foi a produção de leite, cujo volume produzido alcançou cerca de 243 milhões de litros. Esse montante equivale a uma produção diária de aproximadamente 666 mil litros. Entre 2010 e 2011 a produção de leite no estado cresceu 6%. O RN, porém, ainda produz menos de 1% do leite produzido no Brasil e cerca de 6% do leite produzido no Nordeste.

O estado produziu em 2011 35,7 milhões de dúzias de ovos de galinha e pouco mais de 900 toneladas de mel de abelha.