Redirecionamento

12 fevereiro, 2011

Refinaria Clara Camarão - em Guamaré - Já Produz Cerca de 23,3 Mil M³/Mês de Gasolina: 70% do Consumo Estadual

A Refinaria Clara Camarão (em Guamaré), louvadas por alguns e criticadas por outros, processou em 2010 cerca de 4,85 milhões de barris de petróleo. Como a produção de petróleo no estado no ano passado foi de 20,78 milhões de barris, significa dizer que 23,4%¨do petróleo, produzido pelo RN em 2010 foi processado em sua refinaria. Todavia, como essa refinaria ainda está em início de produção da sua planta de gasolina, o processamento de petróleo vem aumentando ao longo dos meses.

Em dezembro de 2010 a Clara Camarão processou 550,5 mil barris de petróleo, ou 28% do petróleo produzido naquele mês no RN. O gráfico abaixo mostra nitidamente que nos últimos meses, com a transformação do Pólo de Guamaré em uma refinaria (com a saída do mesmo da Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras para a Diretoria de Abastecimento), vem ocorrendo um aumento progressivo no percentual de petróleo processado.


Além do GLP, em Guamaré também se produz óleo diesel, querosene de aviação e desde setembro de 2010 também a gasolina automotiva.

A produção de diesel no estado, desde o início de 2010, gira em torno de 50 mil m³/mês. Esse é um volume de produção superior em cerca de 25% àquele que vinha sendo produzido até meados de 2009, quando a produção mensal em Guamaré girava em torno de 40 mil³/mês.

A produção de diesel no RN já era suficiente para atender a demanda local, que gira em torno de 35 mil³/mês. Mas com a criação da Refinaria Clara Camarão ocorreu nitidamente uma expansão da produção local e aumentou o saldo do produto produzido no estado. Esse saldo vem sendo comercializado sobretudo no interior do Ceará e da Paraíba.



O querosene de aviação, por sua vez, produzido para atender principalmente à demanda do Aeroporto Augusto Severo, também registrou aumento de produção recentemente. Até fins de 2009 a produção em Guamaré ficava em torno de 7 mil³/mês. Em 2010 essa produção girou ao redor de 11 mil a 11,5 mil m³/mês. Atualmente a produção de querosene de aviação no estado é mais do que suficiente para atender o mercado local (embora não tenha sido em novembro de 2011 por força do forte aumento da demanda). Apesar dos dados de distribuição de 2010 ainda não estarem fechados, nos últimos 12 meses encerrados em novembro de 2010 a produção de querosene de aviação no RN foi de 117 mil m³ enquanto o consumo ficou em 108 mil m³.



O mais recente item que entrou na pauta de produção de Guamaré é a Gasolina tipo A (gasolina de refinaria que sai sem a adição do álcool). Nos últimos quatro meses de 2010 foram produzidos na Refinaria Clara Camarão cerca de 78 mil m³ do produto, sendo que a maior produção foi no mês de dezembro com 23,3 mil m³. Essa produção representa aproximadamente 70% do consumo de gasolina no estado, que gira em torno de 33 mil a 34 mil m³/mês. Todavia, esse consumo se refere à gasolina tipo C, que vem com a adição de álcool. Assim, para atender ao mercado local a produção de gasolina tipo A não precisa chegar aos 34 mil m³/mês, basta ficar aí ao redor 28 mil para atender á demanda do estado, uma vez que a complementação se dará com a adição do álcool.


A ampliação de alguns derivados de petróleo (diesel e QAV) e a entrada em operação de novos produtos (gasolina) implicam em um maior nível de processamento do petróleo produzido localmente, com agregação de valor ao produto e impactos na geração de riqueza, aumento do PIB, aumento do emprego e maior geração de impostos para os governos estaduais e municipais.

4 comentários:

andre_lns disse...

Interessantes números, mestre Aldemir. Mas será que os números podem explicar qual a justificativa para o preço da gasolina ainda ser tão alto aqui no estado?

Aldemir Freire disse...

É possível que o preço da gasolina no estado esteja mais associado à concentração na distribuição ou eventual cartel dos postos do que aos custos de produção do produto. O início da produção de gasolina no RN faz com que os custos de transporte da mesma se reduza, pois o petróleo deixa de "dar um passeio" fora do RN, onde saía sob a forma de petróleo bruto e voltava na forma de gasolina.

Vinicius Dantas - Jaçanã/RN disse...

Boa pergunta André! É imoral, já que boa parte da gasolina é processado em nosso Estado, mas o preço continua alto. Em Campina Grande abasteço a R$2,42, sendo que em João Pessoa existe posto a R$ 2,29. Enquanto isso, em Natal o mais barato é R$2,66.

André disse...

Pois é. "Eventual cartel" é pra ser bonzinho com os empresários de combustível. Estou lembrando do discusso da direita brasileira qnd da votação pelo fim da CPMF. A defesa era q o fim deste "imposto às avessas" era favorável aos consumidores, uma vez que reduziria o preço final dos produtos. Até agora essa redução de preço é imperceptível ao consumidor, na verdade não existiu. Aldemir até pode depois apresentar indices históricos que comprovam isso. O mesmo está acontecendo com o caso da instalação da refinaria aqui. Se o Ministério Público não agir em defesa do consumidor, denunciando os cartéis de combustíveis como aconteceu na Paraíba, a população do RN continuará sendo prejudicada.